Um gajo chamado Cliff Arnall e que, segundo o «Público», é psicólogo, criou uma fórmula de cálculo da felicidade:
1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA
«Segundo Arnall, “C” corresponde ao factor climático: em Janeiro, os dias são cinzentos e frios; “D” representa as dívidas adquiridas durante a época do Natal e que agora terão de ser pagas, uma vez que o pagamento dos cartões de crédito é feito no final do mês. Já o “d” em minúscula significa os custos monetários relativos ao mês de Janeiro e o “T” é o tempo que passou desde o Natal. A letra “I” representa o período desde a última tentativa falhada de abandonar um mau hábito: os bons propósitos feitos no início do ano – como as idas ao ginásio, deixar de fumar e comer melhor - começam a ficar para trás. Por fim, “M” são as motivações de cada um e “NA” a necessidade de fazer alguma coisa para mudar de vida.» Artigo integral aqui.
Não tenho a menor dúvida de que o 24.01.2011 está a ser um dia pleno de dissabores. E nem é preciso uma fórmula (es)forçada para o comprovar.
Basta um certo e determinado valor percentual...
52,9%
Haverá maior deprimência do que despertar na glorificação do tacanho miserabilismo?
O humor do SENHOR Ricky Gervais, gentilmente partilhado com a plebe na 68.ª gala dos Globos de Ouro(*), andou na mira de objecções de certas frescuras artísticas. Nem sequer se dissertará aqui sobre a imensa e absoluta estupidez dos queixumes e/ou sobre a grandiosidade de um humorista que escolhe não ser domesticado pelas vontadezinhas abjectas de artistas pouco dados àquelas coisas do fair play e da tolerância.
Antes se partilha o monólogo de apresentação da gala, com piadas bem à frente:
(*)A propósito de Globos de Ouro, há uma história particularmente deliciosa para não ser partilhada com o mui estimado leitor: a blogger tem uma colateral em 2.º grau, vinda ao mundo poucos dias depois de o Kurt Cobain papar açorda de espingarda.
Consciente dos malefícios da TV, a blogger exerceu sempre forte influência sobre os hábitos televisivos da sua colateral. Tanta, que a pobre criatura, há uns meses atrás, dirigiu à blogger a seguinde indagação:
«O "Zona J", é um filme mau ou bom?», recebendo a honesta resposta «É muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito mau!!!!!!! Muiiiiiiiiiiiiiiiito mau! Ruiiiiiiiiiiiiiiiiiiim!!!!!!!».
A jovem reflecte e contra-argumenta: «É capaz de não ser assim tão mau... Ganhou um Globo de Ouro.»
[A pobre pequena não sabia da existência daquilo que Joaquim Letria um dia apelidou de «Oscaritos».]
Tão sadicamente divertida quando enternecida pela salutar ignorância de uma página negra da história televisiva tuga, a blogger zombou alarvemente da sua colateral. Cumprindo integral e pontualmente os deveres familiares inerentes ao seu grau de parenteso.
(Nota-se agora, ao reparar nos deliciosos contornos deste episódio, que o mesmo poderia perfeitamente figurar num post natalício.)
Interrompe-se o benéfico e feliz período de ausência postadeira que se verifica cá pelo tasco, vai para mais de uma semana, para realizar o seguinte apelo democrático:
Que o DN não só pisca o olho à direita como inclusivamente lhe abre a perna toda, ninguém duvida. Mas bitaitada jornalística em artigos suportamente isentos, também tem limite. Senão bazam para o CM e mainada!
Que raio de subtítulo é «Com um ataque a Cavaco Silva, o PS intrometeu-se na troca de galharetes sobre o BPN que está a incendiar a campanha presidencial.»?!
O verbo «intrometer» será mesmo o mais objectivo para usar neste contexto?
Ainda na linha de dar cavaco a cavaqueirices ruins, mas igualmente da última indagação formulada cá no tasco, «Fernando Fantasia» é um nome demasiado fabuloso para não merecer zombaria e demais recreações.
Um nome que poderia ser de super herói da BD - primeiro e último nome iniciados pela mesma letra - e que ainda por cima apela à lembrança dessoutra personagem: o Fantásio!, é demasiado bom para ser ignorado.
Se alguma vez, quando era catraia e andava na escola, num dos poucos dias em que, por falta de desculpas credíveis, me vi obrigada a praticar desporto numa aula de Educação Física, me tivessem deixado escolher equipas, havendo um gajo chamado Fernando Fantasia na turma, este encabeçaria logo a minha lista de eleitos. [Nem que tivesse uma imagem desportiva similar à imagem ética que o PR assume com esta salganhada do BPN]
Agora imagine-se se eu me candidatasse a Belém e pudesse «escolher equipa» para a Comissão de Honra da minha candidatura!
Embora assuma a incondicionalidade da devoção pessoal que dedico à bela saga «Harry Potter», ontem à noite, enquanto visionava o «Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1», não pude deixar de pensar com perplexidade no sentimento que cruzaria as almas não leitoras, uma vez submetidas a tal fenómeno audiovisual.
É que mesmo naturalmente impedida de ser racional sobre o assunto, devo admitir que «pena» será a menos intensa das empatias que nutro relativamente a tais desafortunadas criaturas. E há pais que, além da implícita cruz da parentalidade, ainda aturam destas coisas deslocadas e sem nexo, pagando farto dinheiro pelos bilhetes, estoirando o seu tempo precioso numa sala escura em que a garotada acha que pode falar como se estivesse no recreio e manduca aperitivos careiros em modos selvático-energúmenos...
Os dinheiros de bilheteira que isto gerou e continua a gerar são ainda mais difíceis de compreender. Ainda que se queiram contentar os garotos - embora não ache a coisa adequada para menores de 12 - e os fãs sejam público fixo, só disto não se fazem as estatísticas dos ganhos.
...
Ok, confesso!
Dói-me a consciência por ser uma entusiasta de algo francamente fatela, e que à pála do lucro garantido esbanja recursos que deveriam estar nas mãos de gente com ideias válidas e projectos originais dignos de investimento.
Mas por nada deste mundo perderia o «Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2».
A minha consciência é como a classe política: tem uma vaga noção dos valores mas nunca se livrará das suas vicissitudes. E nem é por malogro ou inelutabilidade. É mesmo por ser esse o seu desejo.