domingo, 26 de outubro de 2008

Halloween 2008 - Eels

Ontem deixei dois temas de um álbum de '97 [esse ano sacrossanto!] e afirmei que não havia mais nenhum que houvesse sido lançado àquele tempo de onde pudessem ser extraídos temas para a grande playlist de Halloween 2008... porque não me lembrei dessa obra-colateral-em-2º-grau que é o "Beautiful Frek" de Eels. Directamente dele, 3 temas do camandro!




Faltam 5 dias...

sábado, 25 de outubro de 2008

Halloween 2008 - Silverchair

Dois temas desse belo álbum que, junto com outros que por acaso não dão bons temas para o halloween, serviu de ost ao melhor ano da vida aqui da blogger =)
Bom fim de semana e cenas!



(clickar sobre a imagem para ler/ver melhor)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Momento Zen (aka "bimbas da pop serão sempre bimbas da pop")

As Sugababes já não vão actuar esta noite na Festa das Latas em Coimbra.

O cartaz da Latada 2008 é mais do mesmo e as Sugababes eram o preço a pagar por isso, a grande cartada da AAC saiu afinal mão vazia. Os contornos são os típicos da falta de profissionalismo de uma certa gentinha do showbiz.
Confesso que sinto uma vingadela pela parolice de trazer esta gente a troco de o resto ser o de sempre. Mesmo assim é demais... até para as bimbas da pop.

Halloween 2008 - The Cure

Mais um dia volvido e chegadas as 0h eis novas faixas para a playlist mais arrepiante (ou então irritante) do Halloween 2008!
Hoje com The Cure, dado haver uma certa pessoa que me pareceu ansiosa pela vez destes senhores ;)
Uma faixa indicada pelo Corduroy, duas do novo álbum que está longe de ser mauzinho, here goes garlic!



quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Post extraordinário

Hoje tinha um post verdadeiramente extraordinário para aqui publicar. O post que ia justificar todas aquelas vezes em que os incautos leitores vieram, ao engano, deparar-se com as maiores inutilidades escritas e esporadicamente ilustradas da blogoesfera. Com tal post pretendia igualmente a redenção pessoal que procuro desde que me lembro de existir enquanto ser pensante no interior deste invólucro biológico que é o meu corpo. E a par da redenção interior obter aquela aceitação social que almejo desde os primórdios (talvez desde que espanquei uma colega do pré-escolar por causa de uma tesoura numa tarde em que se fizeram recortes de folhas secas para colar numa cartolina colorida).
Consistindo um típico post deste tasco num texto pretensioso, velhaco, sarcástico, irónico e vagamente humorístico, aqueloutro post que tinha em mente para o dia de hoje deteria, posso legitimamente arriscá-lo, a verdadeira centelha iluminada do auto-aviltamento dotado de cagança que poderia fazer de muito boa gente que padecesse dos meus males, um rebanho mais feliz (ou pelo menos honesto consigo mesmo).
Já se percebeu que o tal post que tinha agendado e esboçado no espírito não conhecerá a luz do dia (ou a resolução dos monitores...). E, não se justificando a histeria-desesperada subsequente, posso então afirmar que nas entrelinhas desse post se poderia alcançar a fórmula exacta da prosperidade e a crise que abala o Ocidente depressa seria uma miragem.
As doenças, as guerras, a pobreza e demais flagelos da humanidade teriam os derradeiros instantes contados com a publicação do já mítico post...

Mas estou com uma gripe inominavelmente filha-da-puta e não consigo escrever nada de jeito, como se nota bem pelas linhas que precedem este remate com suposta piada e espirituosidade.

Halloween 2008 - Joy Division

A inclusão deste sacrossanto nome numa playlist que, querendo ser apenas a melhor playlist de Halloween do ano, afinal não passa de uma brincadeira jóia, tem o seu quê de criminoso...

Mas sendo certo e sabido que aqui a blogger está condenada a arder no fogaréu do Tinhoso, mais vale que o faça em grande estilo e não por meia-dúzia de infracções religiosas.




Faltam 8 dias...

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Eels - Blinking Lights and Other Revelations (e um EP ofertado à plebe internauta!)

Para os obscenamente abastados há esta edição limitada e janota até aos quarks:



Ainda por cima com uma track list assim:

side 1:
theme from blinking lights
from which i came/a magic world
son of a bitch
blinking lights (for me)
trouble with dreams
marie floating over the backyard

side 2:
suicide life
in the yard, behind the church
railroad man
the other shoe
last time we spoke

side 3:
mother mary
going fetal
understanding salesmen
theme for a pretty girl that makes you believe god exists
checkout blues
blinking lights (for you)

side 4:
dust of ages
old shit/new shit
bride of theme from blinking lights
hey man (now you're really living)
i'm going to stop pretending that i didn't break your heart

side 5:
to lick your boots
if you see natalie
sweet li'l thing
dusk: a peach in the orchard
whatever happened to soy bomb
ugly love

side 6:
god's silence
losing streak
last days of my bitter heart
the stars shine in the sky tonight
things the grandchildren should know

MANCHESTER 2005 LP
side 1:
fresh feeling
packing blankets
bride of theme from blinking lights
a magic world
son of a bitch
ant farm
jeannie's diary
my beloved monster
it's a motherfucker
taking a bath in rust
side 2:
trouble with dreams
i'm going to stop pretending that i didn't break your heart
dead of winter
flyswatter
novocaine for the soul
losing streak
climbing to the moon


Para os menos abastados ou os fuínhas inveterados, Mr. E oferece o download desde EP:



EP TRACKLIST:
01 fresh feeling
02 packing blankets
03 jeannie's diary
04 climbing to the moon

Mas despachai-vos que a generosidade termina em 28 de Outubro!

Halloween 2008 - The Cramps

Mais um dia volvido e, chegadas as 0h do dia seguinte, novos temas para a mais arrepiante playlist do Halloween 2008. Hoje com The Cramps, um par de contribuições do já muito mencionado Corduroy.




Faltam 9 dias...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Update à silly season...


A secção "Vida" do Sol online é um daqueles oásis jornalísticos em que o lema do Inimigo Público se vê transformado num "não só aconteceu, como ainda é notícia ter acontecido". Não que defenda uma mordaça sobre as últimas da estultícia humana, do rocambolesco ou do dubiamente útil para a humanidade, mas a hilariedade nem sempre compensa o desconforto que o vexamento solidário provoca...

Desse périplo pelos limites da normalidade destaquei estes títulos:

«Reino Unido - Avião quase chocou com um Óvni em 1991»
[ya, com o acento agudo em OVNI...]

O artigo faz justiça ao título, merece leitura. Senão repare-se neste excerto: "Há também uma carta de uma mulher, afirmando ser do sistema planetário Sirius, que diz que a sua nave caiu no reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial.

Para o especialista em Óvnis da Universidade Sheffiel Hallam, David Clarke, os documentos oferecem novas informações sobre aparecimentos pouco conhecidos.

«O assunto é deturpado por charlatães e lunáticos e por isso é um crime contra a carreira profissional ter o nome associado aos Óvnis, o que é uma pena», disse."


«Estados Unidos - Família crema avó na churrasqueira para ficar com a pensão»

Outra magna peça, cuja pièce de résistance será mesmo: «Kathleen, aparentemente, fez um colar com uma parte do crânio da mãe», disse o polícia Paul Hosler, que investiga o caso, ao jornal local The Corning Observer. «Kathleen publicou na sua página do MySpace uma fotografia com o colar ao pescoço»


«Espanha - Um condutor do metro de Madrid, em Espanha, foi suspenso por um mês sem pagamento depois de ser acusado de receber sexo oral de um travesti enquanto conduzia»

E aqui o destaque vai para o que a todos mais preocupa: "
A empresa operadora procurou garantir ao público espanhol que a segurança dos passageiros nunca esteve em risco, já que, segundo a companhia, cada metro está equipado com sensores para evitar uma colisão no caso de o condutor estar «incapacitado»".
_________________________________

A realidade não se limita a superar a ficção. Faz mesmo dela a sua bitch.

Ideias geniais só que sem se notar muito...


Aqui a blogger frequenta um fórum de música verdadeiramente extraordinário que por acaso é este.
Honrosamente inscrita no mesmo desde essa áurea data que é o 4º dia do 8º mês do 2008º ano após o nascimento do Deus-Menino, a minha cagança exibicionista por tal feito é mais que muita, bem como pela actividade continuada em que consistem os meus 916 bitaitanços naquele mesmo espaço. Tanto assim é que o merchandising espreitou na hora de reflectir sobre o melhor modo de celebrar o dito site, havendo-o eu proposto aos meus companheiros de reflexão musical e bitaitanços absurdos em geral, do seguinte modo:

«Olá!, vivam!

Este fórum é um lugar distinto e ultra bem frequentado. Consta que os deuses do Olimpo, a Maçonaria e o Rancho Folclórico Podas e Vindimas de Arruda dos Vinhos davam tudo para fazer parte deste magno número de eleitos que compomos.
Sendo bem sabido que a fama e a glória são coisas somenos sem t-shirts que o documentem em belos estampados e "dizeres", eis os primeiros slogans que ora submeto à vossa análise e/ou aprovação:

1. "Eu ando no fórum do ar de rocker porque sou mais surdo que o Beethoven"

2. "O nível do fórum do ar de rocker é mais baixinho que o Prince"

3. "Quando for grande quero ir ao fórum do ar de rocker..." (frente) / "... ainda bem que sou anão!" (atrás)

4. "Se não fosse o fórum do ar de rocker sabia quantos pêlos púbicos tem a Amy Winehouse"

5. "Postar no fórum do ar de rocker é como ser bailarino da Madonna ..." (frente) / "Passa-se o tempo em esforços para nenhum prestígio" (atrás)

6. "Se todos os fóruns fossem como o do ar de rocker..."(frente) / "... havia 10 fóruns por cada 100 habitantes."(atrás)

As vossas opiniões contam quase tanto como as de uma doméstica com 43 anos que ligue da Buraca para o Opinião Pública, não deixem que este esplendoroso espaço seja privado de as conhecer!»

Desenvolvimento do tópico aqui.

Naturalmente que alguns slogans serão de difícil compreensão para aqueles que nunca frequentaram esseoutro lugarejo que dá pelo nome de fórum Blitz, amostra sociológica da juventude que está para o regime de Pyongyang como George Orwell para a colecção Harlequim Bianca.

Halloween 2008 - Misfits

Havendo eu mencionado a um par de almas (o colaborador Corduroy e um certo tipo que tem alguns traços em comum com o anão do "Zavet" do Kusturica) uma opinião foi unânime: facilmente se criaria uma playlist só com Misfits. Tanto assim é que hoje nos afiambramos a uma mão cheia de temas! [Em tempos de Halloween as mãos da malta que é cool deformam-se e passam a ostentar meia-dúzia de dedos ='D]




Faltam 10 dias...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

This week I have mostly been listening... (3)

Lembram-se das dietas do Jesse no Fast Show? Se não lembram, eis uma achega à memória:



Agora a malta faz algo do género com o last.fm:



E pronto! Aí está mais um post de encher-chouriço que em nada contribui para a felicidade do leitor mas que torna aqui a blogger um pouco mais familiar aos olhos daquele... ou não.

Halloween 2008 - Marilyn Manson

Um tema cedido pelo Corduroy, outro retirado da magna OST dessa pérola Burtoniana que dá pelo nome de "The Nightmare Before Christmas" bestialmente traduzido para "O Estranho Mundo de Jack" em terras lusas, eis as duas mais recentes adições à mais arrepiante playlist do Halloween 2008!


domingo, 19 de outubro de 2008

Le Deuxième Souffle - Crítica


T.O.:Le Deuxième Souffle (remake do homónimo, que data de '66)
Realização: Alain Corneau
Com: Daniel Auteuil, Monica Bellucci, Michel Blanc, Jacques Dutronc, Eric Cantona, Daniel Duval...

Um ladrão da velha guarda, seguidor e praticante da mais estrita tradição valorativa e "moral" da classe, "Gus"(Daniel Auteuil) evade-se da prisão após dez anos de cárcere, e o submundo do crime que tinha abandonado está todo ele mais impuro e modificado na Paris dos 60's à qual regressa para encontrar a sua amante/femme fatale Manouche (Monica Bellucci).
A conjuntura de mudança para padrões da prática criminosa (consideravelmente mais aviltantes, ambiciosos e ultrajantes) e das lutas entre as forças concorrentes nos esforços de dominar o máximo território pelos máximos lucros obtíveis com tal domínio, traçarão para Gus um trajecto tão coerente quanto auto-destrutivo. Todo o rumo seguido por Gus (rota narrativa do próprio filme) está impregnado daquele cunho pessoal que faz dele um criminoso digno até aos olhos da polícia que, perplexa com a sua perseverança, somente por via de um engodo que tudo e todos precipita, alcança relativa eficiência. Saindo como único vencedor/vencido o código de valores do perigoso Gus sobre tudo o resto.
Estas são as linhas de um filme policial de nível acima do aceitável, levando o seu tempo, avanços e retrocessos, apresentando personagens, fornecendo meandros esporádicos, cuidadosamente filtrado numa aura vintage mas sem caír na tentação da presunção. É sobretudo pela humildade de se limitar a contar uma estória de um homem em face dos dilemas honra/pragmatismo, valores/sobrevivência que merece os aplausos. Isto e o facto de o fazer com uma pintarola de se lhe tirar o chapéu.
Senão repare-se: os primeiros 5 minutos em que se observa a evasão de Gus são de uma beleza incontestável ainda que a realização haja refreado certos tiques egocêntricos que espreitam num ou noutro lugar, porém aceitáveis. Há um certo culto da água das chuvas sobre o pavimento, tanto na exploração da sua imagem como na sonoplastia em torno delas. Somada à supra mencionada aura vintage proporciona momentos de suspensão dramática 100% hedonistas e inebriantes, o que num policial dos 60's com ladrões, golpes, tramas e intrigas é notável! Os americanos podem rodar filmes de gangsters à parva, mas não sabem fazer coisas destas, faltam-lhes as idas aos museus do Velho Continente :p
Além destes momentos de virtuosismo europeu, a realização (que viu quase tantos filmes com tiroteios entre a escumalha criminosa como Tarantino, só que em salas manhosas de cidades com nomes pouco pronunciáveis ou das quais poucos ouviram falar) cumpre a missão com um "bom" em caps lock e em estilo negrito. O cast vai pela mesma bitola receber exactamente a mesma classificação (sim, até Eric Cantona convence!). Daniel Auteuil, transporta sobre os seus ombros todo o peso narrativo/trágico sem nunca ceder ou mesmo parecer sentir tal incumbência, Monica Bellucci, é igual a si mesma: a Senhora imponentemente feminina que ainda assim desconhece por absoluto a palavra cliché ou o termo "lugares comuns" e Michel Blanc consegue interpretar à altura a mais excelsa personagem - o genial comissário Blot, que após o primeiro assassinato protagoniza a melhor cena de todo o filme, relatando os testemunhos que a polícia está prestes a receber de cada um daqueles que presenciou o crime (nenhum deles dizendo a verdade) e sob a fina película de água (qual sobra pluviosa sobre o pavimento do monólogo?...) que é toda aquela ironia experimentada e sagaz, Blot diz telepaticamente ao espectador "Eu sei o que tu viste" enquanto que aos seus interlocutores passa antes o recado "Não perco tempo com as vossas mentiras, já vi o que tinha a ver mas ainda assim a idade e o posto dão-me estes minutos de um protagonismo que gosto de assinalar com estilo".
"Le Deuxième Souffle" não é, nem de longe, nem de perto, a melhor das longas metragens. Apesar daquele monólogo 5* do comissário Blot o resto não acompanha, e a realização faz muito pelo argumento. Lembrem-se as cenas do duplo homicídio dentro de um carro a alta velocidade, m.o. de Gus, e tudo quanto se rodou indoors na noite do golpe: muito melhor a realização do que o argumento propriamente dito.
Há em tudo quanto aqui foi dito o déficit de conhecimento do filme original, pelo que se avalia a presente remake sem que em nada se considere o 1º.
Ainda assim está à altura do tempo e do dinheiro do bilhete e, gastos os dois, deixa um saldo francamente positivo.

Classificação: 3,5* em 5*

Halloween 2008 - Sonic Youth

Mais 3 itens gentilmente cedidos pelo citado colaborador de serviço.


sábado, 18 de outubro de 2008

Halloween 2008 - Mão Morta

O incansável colaborador da mais arrepiante playlist para o Halloween 2008, shô Corduroy, colaborou com ambos os temas que hoje. Neste espaço lhe presto os meus agradecimentos e as devidas honras.


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Halloween 2008 - Bob Dylan

Mais 3 temas para a playlist mais arrepiante do Halloween 2008, desta vez com Bob Dylan, o SENHOR.



Breaking Bad - Crítica



Título : Breaking Bad
Criada por : Vince Gilligan
Género : Drama/Crime

"Change the Equation"


Há muito tempo que andava para redigir uns pares de parágrafos a enaltecer umas das melhores séries que este ano assomaram ao pequeno écran.

A sinopse é simples: professor de Química do ensino secundário, classe média-baixa, com um filho que sofre de paralisia cerebral, pai de um bebé em gestação intra-uterina, descobre que sofre de cancro de pulmão, inoperável. Apertado de dinheiros até aos quarks, com um part-time extra curricular (numa lavagem automática) que ainda assim não permite o desafogo financeiro pretendido, antes lhe proporcionando mais humilhações, e confrontado com a finitude precoce, decide o que qualquer bom pai de família decidiria no seu lugar: produzir metanfetamina.

O primeiro episódio é um sopapo televisivo impossível. O senhor Vince Gilligan não anda a brincar com o que escreve, e os realizadores têm feito justiça às potencialidades (por vezes inacreditáveis) do argumento. Nem todas as séries criam com tanta eficácia o seu microcosmos de realidade enfabulada, sobretudo quando a esta se acrescenta uma dimensão de lucidez implacável e algo sinistra. Mas com um excelso Bryan Cranston [Emmy merecidíssimo!] vestindo a pele do conturbado protagonista Walter H. White, devidamente acolitado pelos irrepreensíveis Anna Gunn e Aaron Paul, o resultado só podia consistir em 7 episódios surpreendentes, de um magnetismo irresistível até ao último minuto.

Desenganem-se aqueles que julgam que em 7 episódios ficam pontas soltas e tudo tem de ser precipitado e condensado. Bem pelo contrário: leva-se o tempo todo que é preciso para cada cena, dá-se o plano todo que é preciso a cada personagem e nunca em momento algum se perde o rasto à saga de Walter White. Vítima e criminoso com quem inelutavelmente se cria empatia, o desespero silente e a luta que empreende em face dele são o mais humano dos dramas.

Por comparação, quiçá injusta para ambas, apelido Breaking Bad de "Weeds para adultos". Não proporciona gargalhadas, não é soft nem ameniza o quer que seja para ser mais "consumível" e mantém sempre uma vaga aura de concreto razoável... mas a situação-limite das finanças familiares na ruína e a opção por sacrificar valores em prol de meios menos ortodoxos para o mesmo fim, que consiste no "bem maior" da família estão lá. O resto da comparação prende-se com o ramo "laboral" escolhido pelos protagonistas. A grande diferença, porém, é que Nancy Botwin só há uma, Walter White pode ser o futuro desgraçado de qualquer um de nós...

Classificação: 4,5 em 5
_____________________________
Produzido, na íntegra, para este sítio.

A deadline Ringo Star

Demasiado ocupado com os seus afazeres e, ao que parece, confrontado com fan mail às carradas bem como n objectos para autografar, Ringo Star enviou a seguinte mensagem:

Que faria se não desejasse paz e amor...

Halloween 2008 - Iron Maiden

A partir de hoje e até ao Halloween, temas para integrar a playlist cuja realização não teria sido possível sem a magna colaboração do grande Corduroy!




Faltam 15 dias...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ausência* do Citando em Parte Incerta

Processar Deus é algo que está ao alcance de qualquer mortal que se sinta lesado nos seus direitos por causa Dele. Pena é que citá-Lo seja ligeiramente mais complicado...
__________________________
*Note-se que o título do post é a epígrafe do artigo 244º do CPC, daí a palavra "ausência". Esta clarificação é feita por duas ordens de razões: 1º para sublinhar que Deus é omnipresente, sendo o termo totalmente alheio à verdade material, mas ainda assim pertinente em face da verdade formal; 2º embora não pareça, aqui também se sabe que sendo o processo de natureza penal Deus seria convocado para interrogatório e não propriamente citado, mas assim tem mais piada.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Natal 2008

Todos os anos, por alturas do Natal, escreve-se a um senhor que dá prendas, cravando cenas como um iTouch ou a paz no mundo. E como gente educada e polida que se é, por muito que se queira deitar a unha ao que realmente interessa no Natal, aguarda-se pela chegada das 0h de 25 de Dezembro ou mesmo da bela manhã de Natal, aquela da canção que todos conhecem. Os espanhóis chegam mesmo a aguentar até 6 de Janeiro :s
Já a camorra napolitana afirma (nada de pedinchadelas a um velho que parece aquele lunático do SLB) que limpa o sebo ao desgraçado do Saviano antes do Natal.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

«A Varinha Mágica de Valentim Loureiro - Méritos, truques e habilidades políticas»


Lendo o título ainda se hipotetiza, por instantes breves, a possibilidade de J.K. Rowling haver trocado as lides do mais famoso feiticeiro pelo único ser capaz de o ensombrar (ou assombrar). Mas afinal a obra literária que, a julgar pela sinopse será assim tipo uma bio-político-populista-vestida-de-uma-aparente-normalidade, é da autoria de um tal Nuno Nogueira Santos.
Toda a verdade por detrás dos galináceos e electrodomésticos que tanta tinta especulativa fizeram correr parece conhecer a luz do dia com o lançamento desta criação literária que, no mínimo pelo seu título, merece aquisição e lugar de destaque nas bibliotecas de todos os portugueses (entre os títulos "Maddie – A Verdade da Mentira" e "Eu, Carolina").
Para aqueles que queiram desenvolvimentos em tom pouco escarnido, ide aqui.

This week I have mostly been listening... (2)

Lembram-se das dietas do Jesse no Fast Show? Se não lembram, eis uma achega à memória:



Agora a malta faz algo do género com o last.fm:






Sim, eu agora vou fazer isto todas as semanas. Dietas do Jesse em tom amnésico é do melhor que há!

domingo, 12 de outubro de 2008

Aderências (aka cromisses)

Basta atentar na lista de premiados com o Ignobel para perceber que a comunidade científica se concentra nas grandes lutas contra as provações dos nossos tempos, desde estudos sobre a velocidade com que são projectados os excrementos pelos pinguins até às descobertas fantásticas que permitem desvendar mistérios que ensombram a humanidade desde há muito, tais como "que pulgas saltarão mais alto, as dos cães ou as dos gatos?".
Desta vez calhou às osgas verem-se objecto de um importante estudo sobre a sua capacidade de aderência.
E este estudo dá provas de duas coisas muito óbvias: 1º o Ignobel é um prémio para durar.
2º A comunidade científica não sabe o que é um certo presidente de uma certa e determinada região autónoma de Portugal continental, cujo nome começa pela letra "M" e termina com a letra "A", contendo a letras "A", "D", "E", "I" e "R" de permeio.

sábado, 11 de outubro de 2008

Nico Muhly "Mothertongue" - crítica


A tónica sobre a juventude de Nico Muhly (27 anos) é assunto incontornável sempre que se fala deste compositor daquele limbo musical onde a erudição, o clássico, o minimalismo e o impressionismo comungam sem que nenhum estilo exclua os restantes de um modo definitivo. No curriculum de Muhly constam colaborações com Bjork, Bonnie "Prince" Billy, Philip Glass e Antony Hegarty, bem como um primeiro álbum - “Speaks Volumes” - antecessor deste que aqui se aborda. Perante tal percurso, a idade impressiona mesmo.

“Mothertongue” divide-se em três partes: “Mothertongue”, “Wonders” e “The Only Tune”, e em cada uma delas a música contemporânea é tratada à mãos de uma pop com arranjos glaciares (há em Muhly traços vincados pelos comprimentos de onda a que nos habituaram os sons islandeses), com a exacta dosagem de samplagens tão prosaicas quanto investidas da mais objectiva candura versejante. Mas que não se esperem de “Mothertongue” melodias lineares e óbvias em face das quais obedecem esses elementos da contemporânea! O arrojo sonoro alia-se antes a um povoar de elementos fantasmagóricos suavemente harmonizados por uma “pop todo-o-terreno” (como alguém assertivamente a caracterizou), e a estrutura não poderia adequar-se mais ao conteúdo.

Aberto com os sussurros e sibilâncias entoados em crescendo por Abigail Fischer, “Mothertongue” (parte quadripartida “Arquive”, “Shower”, “Hress” e “Monster”) instala-se no ouvido e progride até à melancólica companhia que o piano vem fazer ao cântico angustiado posteriormente refundido naqueles murmúrios bulidos da alma. Mais orquestrada, “Hress” é melodia primaveril encerrada com “Monster”, que se veste de barroco mas celebra inquietude.

Justamente pelas linhas da inquietude se desenha o andamento seguinte, alcançando harmonia na finura sonora do cravo, somado, claro está, à bela prestação de Helgi Hrafn Jónsson (ponto alto no término da II parte de “Wonders”).

Porém, é com a última parte, “The Only Tune”, que Muhly alcança a completude. Chegados aqui percebemos que o disco enverga abordagens inconclusas de diversas dimensões atmosféricas-humanas. Em “The Only Tune” a dimensão acabadamente terrena até ao misticismo exacto da enfabulação-da-não-ficção é feita partitura. É preciso apreciar a folk para que a interpretação de Sam Amidon e o banjo surtam os devidos efeitos... e eis que o modo “repeat” passa a guilty pleasure imposto pelo hedonismo.

Para os ocasos que o Outono traz cada vez mais cedo, não se vislumbra melhor acompanhamento sonoro.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Cambada de maricas, pah!

«O Parlamento rejeitou hoje dois projectos de lei, do Bloco de Esquerda e dos Verdes, sobre o casamento homossexuais com os votos contra de deputados do PS, PSD, CDS-PP.»

A manobra do PS é de uma falta de alma gritante, os votos contra da direita são tão previsíveis quanto apanágio do conservadorismo triste que os caracteriza. Eu até estive para deixar aqui um registo politicamente correcto, mas continuar a ver o instituto do casamento ser vedado em razão da orientação sexual, merece a chibatada da arruaça verbal.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Porque acabo, inevitavelmente, por ser kickada dos fóruns em que participo

O fórum é um bom fórum, não havia necessidade. Sendo o espaço destinado ao assunto "Música", existe por lá um tópico cujo título é "O que estás a ouvir?". E cada user passa por lá e escrevinha o nome do tema que esteja a ouvir, bem como do seu intérprete [do tema, e não do user, que aquilo não aceita estrangeiros de forma a evitar ataques como aquele dos fascistas ao site da JSD]. A ideia até parece bastante normal, não é? Pois... mas como eu ando por lá o comentário saíu assim:

«Eu não sei como expor-vos isto... Bem sabeis que tenho uma ampla e profunda estima por todos vós, sem excepção. [Ou com a excepção do Pires, vá, que por cá se inscreveu e logo de seguida iniciou uma travessia do deserto no que respeita à sua forma humorizada de se exprimir bem como assimilar os conteúdos comunicativos dos seus interlocutores, ou seja, começou com manias que já não tem piada nem acha piada a nada - mas não vos ides chibar!, pois prometi-lhe discrição máxima!] Adiante meus caros, pois o tempo urge e a minha terrível confissão tem de ser feita antes que maiores males venham a este espaço como consequência da minha tenebrosa conduta que ora vos exponho!
Atentai porém que não foi, não é, nem será de ânimo e consciência plúmeos que diante de vós apresento factos que, apesar das vossas almas magnânimas e tolerantes, decerto havereis de considerar vis, soezes, indignas e quiçá atentatórias dos pilares deste microcosmos social que os membros deste nobre fórum compõem. O meu arrependimento é sincero e sulcado mais fortemente que as quatro cavidades do meu coração!
Sem mais delongas, mui sucintamente vos confesso a desgraça para a qual me perdi e face à qual procuro redenção com o vosso perdão!
Como expôr esta verdade chocante? Como, meu Deus?! Eu, pecadora e alma errante aqui me confesso: estou a ouvir música!»


Para verificarem o efeito na página, clickai aqui.

A Bard Day's Night


A iniciativa tem dignidade suficiente para aqui ser objecto de divulgação, a própria ideia também é dotada de originalidade e interesse cultural, mas eu só me dou ao trabalho de escrever este post porque o nome do projecto incorpora praí o melhor trocalho do mês.

Agora que estamos esclarecidos quanto às motivações, vamos à estória propriamente dita: existe uma certa banda de tributo aos mais geniais músicos de Liverpool, também ela sediada naquela cidade, de seu nome The Backbeat Beatles.

O tipo que nessa banda de tributo faz as vezes de McCartney, Chris O'Neil, diz que tudo lhe veio à ideia num sonho... e bem se acredita logo que se constata que tal ideia consiste na recauchutização da obra shakespeariana em melodias beatliânicas, conjugando os dois nomes mais exportados das terras de Sua Majestade para o resto do globo.

O resultado é um one man show, que o criador e intérprete Chris O'Neil espera transformar em musical pleno para o ano que vem. Por agora anda a recolher críticas abonadas em elogios, o que não é mau de todo.

E como se chama este projecto?, perguntais vós. "A Bard Day's Night". Eu bem disse que era o trocalho do mês.

Para saberem deste assunto em condições fazei o favor de passar por aqui, ou então mesmo por aqui, onde soube disto em primeira mão.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Letras para covers de sonho: Playback na versão "Hunchback"

Num tempo em que até os Bloc Party aderiram à inclassificável prática do playback [embora o Ar de Rocker considere que os senhores terão sido obrigados a assim proceder, chegando mesmo a agir de modo caricato em tom crítico... eu continuo a recusar-me a ver o vídeo], eis uma alternativa viável!

Hunchback

Podes não vir a aprumar
Sem o costado esgalhar
Concerteza que não te vais encurvar
Oh hunchback, oh hunchback, oh hunchback!

Só tens de te esticar
Não tem nada que enganar
E sem desempenar tu vais aprumar
Oh hunchback, oh hunchback, oh hunchback!

Leva um caprisone ao dente,
Muito disfarçadamente,
Vai sorrindo, que é p'ra gente
Lá presente
Não notar!...

Oh hunchback, tu és alguém
Com costado de vaivém...
Oh hunchback,
Vais dizer: hunchback!
E viva o hunchback
Hás-de endireitar bem.
Oh hunckback, encurvar p'ra quê?
Quem não sabe também não vê...
Oh hunchback,
A dizer hunchback
E viva o hunchback
Empenado como água no parquet


Abre os braços, fecha os braços
Não te danes, nem me chames,
Vais chorar com tanta artrose,
Põe-te em pose
P´ra agradar!...
Oh hunchback, como tu és bom,
A aprumar sem ganir com o som...
Oh hunchback
A dizer hunchback
E viva o hunchback
Hás-de endireitar bem.
Com hunchback até pedem bis:
Mas decerto, dirás feliz...
Oh hunchback
A dizer hunchback
E viva o hunchback
Merdas e cenas... e sorris

Ballet "Yes we can!"

A polémica veio quando um professor foi suspenso por filmar uns alunos que, em vestes militares, enalteciam coreografando a par de palavreados pró-Obama a figura do candidato democrata.
Mas realmente chocante é verificar o IMC médio daqueles jovens, bem como a sua reduzida criatividade coreográfica.
[Note-se que optei por não abordar a gritante inexistência de sentido do ridículo nas almas em questão, prova acabada do meu altruísmo e decência... ou não :p]

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tour Bus dos Kills, a verdadeira história.

[Alguém ligou o TourBus da silly season... desta vez chega a Dezembro!]

No dia 30 de Setembro os Kills deixaram a seguinte mensagem no seu belo site:

«(...) OUR BUS DRIVER IS MISSING AND/OR HURT/DEAD/or A THIEF. OUR BUS HAS DISAPPEARED.

How can 3 tons of black metal vanish into thin air?

Im asking myself the same fucking question.

Anyone seen a black ziggys tour bus traveling somewhere between los angeles and austin texas?

Eyes peeled ladies and gents x a»

Parece que o senhor saiu para comprar cigarros, ou gomas, ou coisa que o valha, no autocarro de digressão da banda e depois ninguém mais lhe viu a cor, ao motorista e ao autocarro.

Ninguém, excepto um certo fã da banda que passou num parque de estacionamento de L.A., e que [boquiaberto, de certeza absoluta, dado que à personagem que faz descobertas destas incumbe reagir com estupefacção e incapacidade para manter a cavidade bocal encerrada] se deparou com um certo e determinado veículo preto, com aproximadamente 3t, que por acaso calha a ser o tour bus dos Kills.

Do motorista nem pó, todo o demais material técnico contido no autocarro dos companheiros de tour dos Racounteurs foi encontrado.

Sejamos razoáveis nas hipotéticas linhas explicativas do fenómeno aqui reportado: eu tenho a certeza absoluta que foram estes gajos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

This week I have mostly been listening...

Lembram-se das dietas do Jesse no Fast Show? Se não lembram, eis uma achega à memória:



Agora a malta faz algo do género com o last.fm:






domingo, 5 de outubro de 2008

Governo Sombra


Pedro Mexia e João Miguel Tavares à direita, Ricardo Araújo Pereira à esquerda e Carlos Vaz a moderar.
A ironia é a pedra basilar e marca d'água deste programa, povoado de pérolas como a de o grau de preparação de Sara Palin [ex-mayor de Wasilla] para a vice-presidência dos EUA ser comparável ao do Presidente da Câmara de Vizela [obra de RAP], temperadas com pareceres opinativos que se subsumem com graciosidade ao termo que este tasco adoptou: "opinadelas".

Eis o governo perfeito: não governa, divide pastas de acordo com a ordem da oportunidade mediática e preferência pessoal dos respectivos ministros, ...enfim!, tudo aquilo que um conselho ministerial deve ser (ou não), encontra aqui o seu devido lugar. Ou então assumem o que muitos por vez deles deveriam assumir, pena é não serem parte de um debate radiofónico a resvalar para o cómico por vez de membros surreais de governos reais...
Em ano de eleições concorrência "governativa" deste nível é boa colheita política ;)
Por aqui já se ouviu a primeira emissão e aconselham-se as emissões futuras bem como a já pretérita.
Diz que é emitido às Sextas pelas 19h na TSF, mas como ninguém real ouve tal estação radiofónica a essas horas do último dia da semana, a menos que esteja a andar de automóvel, podeis escutá-lo aqui.

X-Wife


Abençoada seja a alma que teve e ideia de mini-concertos à borliú pelas Fnac's deste país!
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Como seria de esperar a banda focou-se nas faixas do último álbum - Are You Ready For The Blackout?, e apesar de temas novos significarem menor resposta do público dado não se conhecerem os temas bem como o detalhe geográfico "dentro de um Centro Comercial", a verdade é que o bater do pé e o meneio da cabeça reinaram mesmo entre os menos extrovertidos.

Ao terceiro de originais estes senhores do rock voltado para a pista de dança, do punk sintetizado, das canções boémias e nocturnas que mesmo à primeira audição não deixam espaço para duvidar da sua qualidade, lembram porque se gosta de música e de estilos que sabem beber em mais fontes melómanas do que as óbvias e imediatas.

Dia 6 de Novembro voltam cá ao burgo, e assim justificaram os curtos mas proveitosos 43 minutos de concerto.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

IgNobel 2008

Estudo sobre a ovulação e as gorjetas das dançarinas de bar vence IgNobel da Economia

Eis a ficção superada em insanidade cientificamente fundamentada e credenciada pela realidade: IgNobel 2008.
Estudos que nos permitem chegar mais além no conhecimento do mundo em redor, desvendando mistérios como "quais saltarão mais alto, as pulgas que habitam nos cães ou aquelas que habitam nos gatos?", constatar que os medicamentos falsificados vendidos a preços mais elevados têm maiores taxas de sucesso clínico, descobrir que os micetozoários conseguem resolver puzzles, enfim! É o admiravel mundo novo em todo o seu esplendor e nesciedade...

Agora a sério: não há prémios com mais pintarola que estes [e sim, estou a contar com as rifas cujo prémio é um leitão assado e com isto].

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

O diabo seja cego...

A adaptação ao cinema do "Ensaio Sobre a Cegueira" de José Saramago às mãos do Fernando Meirelles continua a causar indignação e protestos por parte da Federação Nacional dos Invisuais norte-americanos.
Ao que parece já não há temática que aborde uma certa minoria sem que haja protestos e polémica dignos de enchidelas de garrafais nos jornais, reportagens, debates... e cenas. E se numas vezes a razão lhes deve ser dada, nas outras será mais belicosidade desconhecedora daquilo que a arte efectivamente trata, do que propriamente defesa de interesses minoritários dignos dela. Em primeiro lugar porque esses ataques de que se julgam vítimas não existem na realidade, em segundo porque o modo apaixonado como se entregam ao protesto sem adensar os porquês lhes fica mal.
Qualquer ser racional que leia o livro e veja o trailer percebe que a cegueira é, naquela obra, um meio para perspectivar a natureza humana numa dada situação extrema. Não se trata de um retrato da cegueira como índice de má índole e crueldade. Bolas! Acho que já todos percebemos isto! Mesmo quem protesta. Mas pelo sim, pelo não... só mesmo para vincar um ponto de vista... os protestos.
Chegámos ao ponto em que a salutar prática do politicamente correcto e do respeito pelas minorias são censura. Naturalmente que a indignação e o protesto se justificam em múltiplas situações, mas noutras são fruto do "porque podemos" muito mais do que do "temos conosco a razão".

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Falta de criatividade

Uma certa e determinada pessoa cujo nome aqui irei omitir, não por respeito àquela mas antes porque este post poderia assumir contornos Shakespearianos que só degradariam (ainda mais) este lugar... onde é que eu ia? Ah! Uma certa pessoa que já referi comentou que "ah e tal não tens postado nadinha, népia de textos que até gostava de ler e cenas, andas com falta de criatividade?".
Na realidade esta pessoa não usou estas exactas palavras, é adaptação minha, porque é meu apanágio deturpar e ferir de inexactidões quase todos os elementos que me são trazidos ao conhecimento. E o motivo pelo qual o faço é muito simples: porque sim.
Com que então não tenho criatividade e por isso é que este blog é tão interessante como uma partida de dominó entre dois septuagenários, no café central de uma aldeia perdida do Baixo Alentejo, numa cálida tarde de meados de Agosto, aborda pontos de interesse tão úteis como um intérprete de suahili-tétum no Pólo Norte, desafia tanto a inteligência como os exames do 12º ano, etc, etc...
Naturalmente que ao criar o 109206956952809850875767328759826658726º blog estava consciente das possibilidades de ingratidão dos seus visitantes, e que embora eu cá esteja somente em moldes virtuais e os apedrejamentos não sejam facticamente possíveis, as críticas ruins, infelizmente, continuam a sê-lo. Notem o quanto as aprecio no detalhe de os vossos comentários ficarem sujeitos à minha aprovação!
Com que então falta de criatividade! Eu?! De todas as pessoas sou eu aquela que foi acusada de falta de criatividade! Eu! A pessoa que ainda tem em projecto mascarar-se de tosta mista (ou torrada, ainda não é definitivo) quando chegar o Carnaval, dado que entretanto adquiriu umas "Converse All Star" amarelas - elemento indispensável ao empreendimento descrito, a pessoa que já sonhou com o José Peseiro a fazer stand-up (não tinha piada, claro), a pessoa que acha que se encher uma pistola de água (daquelas com elevado alcance) com água benta e atacar os peregrinos a caminho de Fátima na EN1 estará, ainda que de um modo pouco convencional, a ter uma atitude santa, a pessoa que acha que se a ost do Into The Wild tivesse sido da autoria do Elton John teria um hit single chamado "McCandless In The Wind"... falta de criatividade! Bah!
Este blog é uma penosidade, acima de tudo, porque a preguiça é a minha primeira e última (e também a intermédia) companheira. E que não se julgue que é a preguiça que me desencaminha! Não! Sou eu a ela. Qual dealer a aliciar incautos púberes em festas! Gosto de a observar como um pedófilo a um parque infantil, de a perseguir como um vendedor do Borda D'Água a um potencial comprador, de a alimentar como o McDonald's à obesidade...
E a preguiça, todos bem o sabemos, é inimiga da produtividade. Onde quer que ela esteja, haja estado ou venha a estar, a produtividade sabe que a preguiça está para si como a anti-matéria para a matéria. [E obviamente que não percebo realmente a comparação que estabeleci agora mesmo porque sei tanto de física como de lagares de azeite.]

Agora a sério: este blog não tem textos de jeito porque me falta criatividade.

sábado, 27 de setembro de 2008

Paul Newman - A ida de um SENHOR da 7ª arte


Parece que agora há uma perda irreparável por semana... e nesta foi a vez de Paul Newman...

Parece-me bem citar John Rooney,última personagem interpretada por Newman para o grande ecran: "May you get to Heaven an hour before the Devil knows you're dead". Não que me pareça pessoa que o Demo possa colher justamente, mas nunca fiando...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Muppets - filme em 2010


Em 2004 a Disney adquiriu os direitos de autor de Muppets mas o projecto ficou em stand by. Como bons servos da entidade cujo objectivo primacial é a obtenção do máximo lucro, logo após a dita aquisição, os executivos debruçaram-se em estudos capazes de mostrar o caminho explorativo do objecto negocial no sentido da maximização dos potenciais lucrativos, tentando aferir o grau de receptividade por parte do público.

Com a exibição de episódios originais de séries das décadas de '70 e '80 em horário nobre, no Disney Channel norte americano, a Disney percebeu que o público está ávido por Muppets. Colocados os vídeos no Youtube, foram vistos por cerca de 5 milhões de pessoas em pouco menos de 20 dias.

Os senhores executivos da Disney são sensíveis (às possibilidades de aumento dos activos) e eis que aí vem uma nova série televisiva bem como um novo filme dos Muppets!

Nota-se muito que não gosto da Disney? Vamos pensar que esta... vaga antipatia... para com o colosso da animação se deve a uma infância problemática, ok?

Agora a sério, anotai nas vossas agendas: novo filme de Muppets em 2010, série televisiva muito provavelmente antes disso!
Para uma Quinta-Feira, não é uma notícia nada má! :p
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Entretanto reparei que o genérico da nova série ficou a cargo de Kanye West, mais se adianta que é justamente Kanye West o anfitrião do episódio piloto.

Para mais desenvolvimentos, clickar aqui.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Californication


A segunda temporada de Californication já chegou e com ela traz o desenvolvimento daquele "happy ending" tão inesperado quanto previsível.
Aqui a blogger já espreitou os dois primeiros episódios e tem a dizer que apesar de a linha de base ter mudado (não vou dizer porquê para não estragar a 1ª época aos que ainda não viram), Hank Moody não deixa de ser igual a si próprio e o "happily ever after" acaba por ser um desafio ainda maior.
Libidinoso, assoberbado, disfuncional, politicamente incorrecto, boçal, hilariante e até vagamente terno, o imaginário de Californication tem um potencial maior do que à partida seria de suspeitar.
Agora é ir vendo os episódios e esperar que não haja ganâncias a comandar na hora de finalizar a série.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Audiofilia - Nico Muhly


O álbum "Mothertongue" de Nico Muhly tem sido objecto do meu regozijo sonoro desde que os senhores da Flur o mencionaram num certo mail de update às novidades. Se eu não fosse adepta do ecletismo até ao dúbio vincar de gostos, talvez não me deslumbrasse tanto.

A recomendação está feita, e para incrementar o apetite, fica a bela faixa que considero mais "convencional" mas ainda assim desarmantemente bela:

Nico Muhly "The Only Tune III: The Only Tune"

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Emmys 2008


A lista dos vencedores está disponível aqui.

Os Oscars da TV foram atribuídos esta noite, e as séries que mais galardões arrecadaram não são coisa que veja habitualmente, de seu nome "Mad Men" e "30 Rock".
Os meus festejos são antes pela improvável atribuição do Emmy a Bryan Cranston. Breaking Bad é Weeds para adultos, e muito poucos interpretariam ao nível do Sr. que estará mais presente na memória colectiva como pai do Malcolm, mas que prova ser um grande actor naquela bela série em que veste a pele de um professor de química que, vendo-se doente terminal em virtude de um recém descoberto cancro de pulmão, decide produzir metanfetaminas. Fossem os professores de química deste calibre e o choque tecnológico começaria nos laboratórios dos liceus do nosso belo Portugal! :p

Novo URL, vida nova!

Porque aí está mais uma bela semana, porque o tasco tem novo URL, porque o casamento entre homossexuais está definitivamente remetido para outra legislatura, e simplesmente porque me apeteceu, aqui fica uma pérola musical:

Frank Zappa "He's So Gay"



Atentai à letra da música!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Também quero um assim!


Vejam lá se não é um cabeçalho insanamente jóia para um tasco sobre música!
Parabéns Ar de Rocker! Além de patrocinares o fórum que mais curto empatar com parvoeira tens tempo livre entre mãos para coisas destas!
[E eu para posts destes... christ!]

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Certezas dispensáveis e despedidas lamentáveis...



Richard Wright (28.07.1943 - 15.09.2008)

Pink Floyd de volta, só mesmo sem Richard Wright... E podia dizer mais uns quantos clichés que por mais parvos, desnecessários e vulgares que fossem sempre seriam sentidos. Mas nem as palavras nem a música trazem de volta aqueles cuja ida nos deixa mais pobres, ainda que neste caso haja música para colmatar a lacuna.

Hoje a playlist é exclusivamente composta por Pink Floyd.

domingo, 14 de setembro de 2008

Futilidades insanas e consumistas que apetecem à brava


Ora digam lá que não é uma ternura de bosão!

Bosão, bosão
Acho que ainda vou gastar tostão...

Para quem quiser adquirir este belo objecto geek-nóico, é favor visitar este lugar.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Pérolas cinéfilas improváveis


De nome claramente inspirado no hit single do já finado Dino Meira, a segunda longa-metragem de Miguel Gomes é a pérola cinéfila made in Portugal que merece ser vista por estes dias.
Por todo o lado este filme se etiquetou (com justiça) como documentário/ficção, mas arriscaria a dizer que ele é mais surrealmente prosaico/objectivamente poético. Esta minha etiquetagem conhece a sua única falha no facto de assim não traçar a divisão clara das duas partes em que se divide o filme...
(Texto integral aqui)

Let's look at the traila!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

A ouvir... para um destes dias melhor dissecar


High Places (2008)

A “cena de Brooklin” continua em grande forma, proporcionando sonoridades que não sendo a zénite da década, ditam a entrada para o top dos discos do ano concebidos para o acessível deleite do ouvinte sem para isso se renderem às fórmulas mais convencionais.

Raramente a percussão conhece desígnios tão sublimes e fazer música é tão impregnado de influências variadas harmoniosamente combinadas sem pretensiosidades imbecis.

Por estes dias, é com este High Places que constituirei ost prioritária da minha mui interessante (ou não) existência.